domingo, 28 de fevereiro de 2010

"Eles" não querem que a gente saiba...


Todo mundo de vez em quando olha pra cara da Fátima Bernardes, do William Bonner depois de uma notícia qualquer e pensa: que história é essa!? Isso em geral quer dizer dúvida diante da cara cínica que noticia algo como se fosse outra coisa... Ah, e antes de qualquer coisa, os jornalistas citados aqui não são nem especialmente odiados ou amados - foram nomes escolhidos ao acaso...

Lady Di morreu - ou mataram? O homem pisou mesmo na lua? 11 de setembro foi conveniente demais ao Bush...?

A ideia é que nem tudo é o que parece - aí basta que a gente descubra por intuição ou pesquisas na internet que aquela música que tá bombando na verdade é uma cópia frankenstein de dois ou três outros sucessos de épocas outras, que a gente fica se sentindo um Sherlock Holmes, uma Miss Marple. Claro que uma certa dose de 007 ou Arquivo X nos couros atiça a imaginação de quem já não se contenta muito com as explicações que nos dão sobre os fatos e eventos. De vez em quando algumas teorias da conspiração se confirmam - os EUA tinham sim um plano pra invadir o Iraque a qualquer custo a tal ponto que tiveram a cara de pau de forjar provas, e etc... Então porque não pensar que há um movimento maligno inserindo mensagens sublimares com apologia à homossexualidade nas letras dos hits mais tocados nas rádios para o público jovem? Porque não pensar que os EUA e a China possuem uma super-arma com a qual podem causar terremotos de grandes proporções no ponto do globo que quiserem? Porque não pensar que o Brasil está em vias de fabricar uma bomba atômica com ajuda do Irã pra consolidar a sua posição de potência diante das demais...?



Teorias da conspiração são divertidas. Você começa com uma ideia e quando vê já escreveu o roteiro de um filme B de ficção científica. E a criatividade conspiracionista não tem limites. Há quem diga que existe uma "máfia gay", ou ainda um projeto genético que tem como objetivo eliminar os negros dos Estados Unidos; há tamb´me quem diga que o Barack Obama que vemos, ou a Madonna que se expõem em público ao perigo dos opositores e doidos de plantão são ne verdade clones, ou robotoides, cópias artificiais e orgãnicas perfeitas das pessoas que substituem...

Uma lista completa das teorias da conspiração vocês podem ver nesse link aqui.

Essa história de inconsciente, de causas ocultas, motivações secundárias e terceiras excitam as mentes, nos fazem às vezes querer ver no que vemos mais do que vemos. Acho que isso até certo ponto é normal: uma mistura saudável de curiosidade e dúvida é o que nos fez passarmos de primatas não muito eficazes existencialmente para primatas existencialmente menos burros, i.e, Homo sapiens sapiens (a nomenclatura é relativa, claro). Mas cuidado pra não acabar como Russel Crowe em Uma mente brilhante, ou Bruce Willis em "Teoria da Conspiração" - se bem que nesse último a teoria não era só teoria... Mas enfim. Cuidade pra não pensarem que eu estou alinhado ideologicamente com um grupo que tem o domínio da internet e que com esse texto chato e aparentemente desinteressado sobre teorias da conspiração pretendo justamente desvalorizar a questão, transformando o problema ou preocupações fundamentadas em meras paranoias divertidas que serão esquecidas ou diluídas num conto ou blog sem graça...



"There's more to life than this", diz a Björk. "Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia. Esse eu esqueci quem disse".

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Esses dias eu vi: Deixa ela entrar


Saí do cinema sem saber direito o que pensar: romance, terror, suspense, drama... A palavra coringa "estranho" me acudiu mas eu rejeitei porque é muito fácil. Mas vale no caso. Antes a história:

Oskar é um menino magrelo e mole de doze anos que vive sendo perturbado (ou, como se prefere hoje, "é vítima de bullying"... argh) pelos colegas na escola. Um belo dia - belo não, os dias desse filme têm todos uma tonelada de neve e um pingo de sol, porque estamos na Suécia, nos anos 80 - ... Um "belo" dia, vizinhos estranhos se mudam para o apartamento do lado, um homem e uma menina, Eli.


Mortes e coisas estranhas depois (o menino coleciona num caderno notícias policiais de jornal), Oskar se aproxima da nova vizinha. Seguem-se mais peripécias que incluem uma cena tocante: num lugar escondido, com o dedo cortado para que se tornem irmãos de sangue, Eli não se aguenta de fome e lambe o chão em que goteja o líquido vermelho de Oskar... que fica estarrecido. E oui, Eli é vampira. Vampira? Na verdade é um menino que foi castrado na Idade Média, e que têm sua idade conservada eternamente pela sua condição...


O romance é bonitinho. Há cenas agradável e desagradavelmente nojentas. A trilha sonora é piegas - digam o que quiserem, mas que eu saiba, o filme ganhou dezenas de prêmios e nenhum pela trilha sonora. No final há uma desforra trágica com os coleguinhas chatos e a cena final indica o início ou continuidade de um ciclo.

O filme tem cenas sensíveis de um amor leve, e há laivos de reflexão sobre a vida, solidão, amor, etc. A neve não pára de cair um instante. Há muitos gatos também (eu ri na cena em que eles demonstram seu ódio pelos vampiros...) e a sutileza do cinema europeu predomina em cada tomada, em cada minuto a mais em que sua paciência é testada mas bem paga pela cena seguinte. 

Quem gosta de vampiros vai gostar. Quem não gosta, acho que vai gostar também. Sozinho eu não vejo de novo, mas se alguém me chamar, eu vou.

O título original é Låt den rätte komma in - Let the right one in, em ingrêis.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Esses dias eu vi: Atividade Paranormal


Há um mês mais ou menos uma aluna me falou desse filme. Meu interesse foi quase nenhum - ela falou em Bruxa de Blair, suspense, pesadelo... Me considero uma pessoa problemática nesse assunto de acreditar em coisas difíceis de acreditar: prefiro sempre as explicações que incluam objetos que eu possa tocar e manejar; o vento é ar se movimentando e não um peido de um demônio que veio me subjugar... (olhos no escuro são peferencialmente sinais de esquizofrenia do que motivos pra se achar sensitivo...) Enfim.

Resolvi ver Atividade Paranormal depois de saber que na Itália pessoas histéricas após ver o filme saíam com o coração na boca, com palpitações, suando frio, ou sendo carregadas por outras ao hospital [Boo!]. Se for um tipo besta de lance de marketing, tudo bem, gosto dessas coisas. Mordi a isca e vi o filme também.

Senti palpitações? Passei mal? Não. E nem vou dizer que agora acredito que o vento à meia-noite é o peido de um demônio e que vou dedicar as poucas horas livres da minha vida na pesquisa de seres invisíveis e que perturbam seres humanos.

Mas direi que: o filme dura uns 137 minutos, e acho que durante dez por cento disso lembrei dos momentos em que implorava pra dormir com os meus pais no quarto quando supunha ou o bicho papão ou um alienígena debaixo da cama.

Atividade Paranormal usa um efeito que tem sido usado com certa frequência no cinema atual: vai no estilo pseudo-documentário, ou, antes, pseudo-biográfico: pega-se as câmeras cinematográficas profissionais e se modificam as imagens para dar a impressão de que se trata de uma digital caseira que registra momentos singelos de pessoas normais vivendo suas aventuras e peripécias. O pioneiro nisso, pelo menos o mais famoso na história recente do cinema foi a Bruxa de Blair. Depois houve vários. Aquele do monstro em Nova York, Distrito 9, contatos de quarto grau, entre outros. O forte dessa técnica é que você, mesmo sabendo que se trata de uma ficção, se deixa levar pelo enquadramento impreciso, pelos tremeliques, pelas "imperfeições", pela interpretação relaxada dos atores (que quando são suficientemente bons, como é o caso, contribuem com o clima "isso aconteceu mesmo" do filme) etc.

Muito bem. Vemos em Atividade Paranormal um casal belo, simpático e promissor que vive sua vida tranquilamente, e que de repente começa a testemunhar coisas estranhas. O rapaz, cético e pragmático, decide usar uma câmera pra registrar tais coisas estranhas. E registra. No começo, coisinhas, bobagens: é um guabiru? A geladeira viçando? Não é nada? Com o passar do tempo, eventos cada vez mais inquietantes se sucedem... o suspense desse filme é tão bem construído com um jogo entre dúvida e descrença e evidências, que a clássica porta que bate - que na verdade no começo nem bate, só se mexe - fez meu coração pular. Não há mesmice nesse filme. Tenho que admitir que a coisa é bem feita. O ritmo de suspense e medo é constante. O fim é trégico e muito perturbador e não me fez me arrepender de ter gastado uma hora e meia noturna na frente do computador.

Assistam. Não vou fazer nem uma advertência porque já fiz propaganda demais e o Adsense olhou pra mim com desprezo comercial - não estou ganhando nada mesmo. Mas vale a pena. Espíritas e pessoas afins vão adorar Atividade Paranormal.

Pretendo rever.





[Ooops!!! A terceira imagem não é um poster oficial do filme, ok? :)]